Charque ? No contexto brasileiro quer dizer carne seca, jabar ou carne de sol.
A técnica consiste em salgar e empilhar ou dispor ao sol para desidratar, assim, se conserva por bastante tempo a carne bovina para consumo.
Para o preparo é necessário ferver bastante para retirar o excesso de sal.
Charquear é cortar a carne dividir em pedaços, salgar , secar ao sol e por último dessalgar em água fervente.
Buenas, quando ouço um homem gritar com uma mulher:
-Eu vou ai e te charqueio !!!!
A descrição que fiz acerca do preparo da carne de sol vem imediatamente à memória.
É isso. A mulher para esse homem merece ser cortada, salgada, fervida, queimada, secada ao sol, arrastada…mutilada…morta.
Os fatos, estatisticamente , revelam essas atrocidades praticadas pelo crime de feminicídio no Brasil.
Ah, mas é só uma expressão dita numa DR.
Ah, a letra da música não tem semântica de violência!!!
E assim o imaginário dos ditos patriarcais se perpetuam.
” agora, tu vai ver “marvada”
tava cansado de me fazer de bonzinho
te chamando de benzinho e de patroa
esta marvada me usava e me esnobava
e judiava muito de minha pessoa
endureci e resolvi bancar o machão
ai ficou bem bom agora é do meu jeito
de hoje em diante sempre que eu te chamar
acho bom você se”ajoeia” e me trata com respeito
ajoelha e chora ajoelha e chora
quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora
ajoelha e chora, oi, ajoelha e chora
quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora
mas o efeito de remédio que eu dei
foi melhor do que eu pensei, ela faz o que eu quiser
me lava a roupa, lava os pratos e cuida DOS FILHOS
anda nos trilhos, garro preço essa muié
faz cafuné, me abraça com carinho
me chama de docinho, comecei a me preocupar
eu to achando que esta mulher danada
ficou mal acostumada e tá gostando de apanhar
ajoelha e chora, ajoelha e chora
quanto mais eu passo o laço mais ela me adora…
Senti náuseas ao digitar essa letra de música estilo gauchesca.
Apologia explícita à violência feminina.
Em tempos de rever discursos misóginos, essa letra e música, já passou da hora do ministério público, das delegacias de mulheres tomarem uma atitude.
A música é arte. Deve estar a serviço do bem estar social.
Não é arte quando ratifica comportamento social violento.
O pulso ainda pulsa.
O pensamento ainda pensa.
Fica o convite, pense!!!
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